Por muitos anos, o termo “Síndrome de Asperger” foi utilizado para descrever um perfil específico dentro do espectro autista. Ele aparecia em consultas médicas, pesquisas, escolas e conversas entre famílias que buscavam compreender melhor o desenvolvimento de seus filhos.
Com o tempo, porém, os estudos sobre neurodesenvolvimento avançaram e mostraram que essa separação não refletia a complexidade do autismo. Hoje se entende que o termo não é mais adotado na prática clínica, mas continua presente na memória coletiva, em reportagens e até em diagnósticos antigos.
Essa permanência do nome levanta dúvidas importantes. Muitas famílias se perguntam se o que conheciam como Asperger ainda existe, se foi substituído, ou se o diagnóstico do passado precisa ser reinterpretado.
Para algumas pessoas, o termo carrega um sentido de identidade; para outras, representa apenas uma classificação técnica usada por profissionais. Em ambos os casos, é natural querer entender o que mudou e como a ciência passou a enxergar esse grupo dentro do espectro.
Ao esclarecer essas diferenças, o objetivo não é invalidar diagnósticos anteriores, mas atualizar a compreensão sobre o TEA e mostrar como a abordagem atual oferece um olhar mais completo sobre comportamento, comunicação e autonomia.
Portanto, este artigo reúne as principais informações sobre o que é a Síndrome de Asperger, para ajudar famílias, educadores e cuidadores a entender o que o termo significava, por que deixou de ser usado e qual conceito é adotado hoje.
O que é a Síndrome de Asperger?
A Síndrome de Asperger era utilizada para descrever pessoas com funcionamento intelectual dentro ou acima da média, com interesses restritos, diferenças na comunicação social e comportamentos repetitivos.
Em geral, essas crianças apresentavam linguagem formal ou sofisticada, hiperfoco em temas específicos e ótimas habilidades de memória.
Durante muito tempo, acreditou-se que esse perfil era distinto do autismo clássico. Por isso, a Síndrome de Asperger ganhou espaço como diagnóstico separado. Hoje, se entende que essas diferenças fazem parte de um mesmo espectro, com grande variação entre indivíduos.
Quais eram os principais sinais da Síndrome de Asperger?
Os principais sinais envolviam questões sociais, padrões de comportamento e particularidades na comunicação. Entre eles:
- dificuldade para compreender nuances sociais e linguagem figurada;
- interesses intensos e muito específicos;
- menor flexibilidade para mudanças na rotina;
- fala com tom mais formal ou pedante;
- tendência à literalidade;
- sensibilidade sensorial variável;
- preferência por interações previsíveis ou mais estruturadas.
Muitos desses sinais também aparecem nos quadros clássicos de autismo, o que reforça a necessidade de observar o desenvolvimento da criança de forma ampla, considerando também outros sinais de autismo.
Qual a relação da Síndrome de Asperger com o TEA?
Com o avanço dos estudos sobre neurodesenvolvimento, pesquisadores começaram a perceber que os perfis antes classificados como Síndrome de Asperger não formavam um grupo separado.
As características descritas nesse diagnóstico precoce no autismo estavam alinhadas ao que hoje se reconhece como parte do espectro autista.
Crianças e adultos que recebiam o diagnóstico de Asperger apresentavam diferenças na comunicação social, interesses específicos, comportamentos repetitivos e sensibilidade sensorial. Esses aspectos já faziam parte do conjunto de características observado no TEA, apenas com intensidade variável.
Com o tempo, ficou evidente que a distinção entre “Asperger” e “autismo” criava uma divisão artificial. Em vez de duas condições diferentes, tratava-se de maneiras distintas de manifestar um mesmo espectro, que pode ser mais leve, moderado ou exigir níveis maiores de suporte.
Essa compreensão levou especialistas a adotar uma visão mais contínua, priorizando a avaliação das necessidades de cada criança. O objetivo passou a ser entender o impacto das características no dia a dia, em vez de classificá-las em caixas separadas.
Hoje, quando se fala em Asperger, está se falando de um perfil que corresponde ao que chamamos de TEA nível 1. Essa mudança ajuda profissionais e famílias a pensarem menos em rótulos e mais em como oferecer suporte, intervenções adequadas e oportunidades reais de desenvolvimento.
É verdade que a Síndrome de Asperger não é mais usada?
Sim. Desde a publicação do DSM-5, em 2013, o termo deixou de ser utilizado como diagnóstico oficial. Ele foi incorporado ao TEA e passou a fazer parte do espectro como uma forma de autismo que exige níveis menores de suporte.
Muitos adultos ainda preferem usar a expressão por identificação pessoal ou por terem recebido esse diagnóstico no passado. No entanto, na prática clínica atual, ela não é mais usada por profissionais de saúde.
Então, qual conceito é utilizado atualmente?
Hoje, o diagnóstico utilizado é o Transtorno do Espectro Autista, com classificação de níveis de suporte. Em vez de separar “Asperger” e “autismo”, os profissionais avaliam:
- comunicação
- flexibilidade cognitiva
- comportamento
- autonomia
- impacto na rotina
- necessidades de apoio
Essa abordagem torna a avaliação mais precisa e respeitosa, considerando cada pessoa de forma individual.
Onde buscar ajuda para um diagnóstico correto em crianças?
O diagnóstico é sempre feito por médicos especializados, como neuropediatras, psiquiatras infantis ou geneticistas. Eles avaliam o desenvolvimento, observam o comportamento e utilizam critérios clínicos atualizados.
Após o laudo médico, entra o trabalho de equipes especializadas que apoiam a família no processo terapêutico.
Na bloomy, o cuidado começa depois do diagnóstico: organizamos o plano terapêutico da criança, mapeamos necessidades, orientamos a família, apoiamos a escola e acompanhamos a evolução ao longo do tempo.
Nesse contexto, a terapia ABA no autismo contribui para avanços na comunicação, comportamento e autonomia.
Já o tratamento multidisciplinar para crianças com autismo integra psicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e psicopedagogia para garantir que a criança receba intervenções baseadas em evidências e adequadas às suas necessidades.