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Quem conduz a brincadeira? Um olhar sobre o Protocolo Equilíbrio

Quem conduz a brincadeira? Um olhar sobre o Protocolo Equilíbrio

Na hora de brincar, quem costuma escolher o que acontece: a criança ou o adulto? Essa pergunta ajuda a olhar para uma parte da interação que pode passar despercebida quando a atenção está concentrada em ensinar, dar instruções ou corrigir.

O Protocolo Equilíbrio propõe trabalhar justamente a alternância entre atividades conduzidas pela criança e propostas do cuidador. Um estudo brasileiro acompanhou sua aplicação remota com uma criança autista de três anos e meio e seus pais. O caso permite discutir como essa participação foi construída — e o que ainda não é possível concluir a partir dela.

A brincadeira como ponto de partida

O trabalho começou pelos interesses da criança. Os cuidadores reuniram brinquedos e materiais de que ela gostava, e a primeira etapa reservou espaço para que conduzisse a brincadeira, com o adulto disponível para responder às suas iniciativas.

A distinção é concreta: acompanhar uma brincadeira não é o mesmo que transformar cada movimento em uma nova tarefa. Nesse primeiro momento do programa, o cuidador não apresentava demandas. As propostas dos adultos e o ensino de outras habilidades entravam gradualmente nas etapas seguintes.

Para a família, isso abre uma boa conversa com a equipe: quanto espaço o planejamento oferece para a iniciativa da criança? Como as atividades escolhidas por ela se relacionam com os objetivos definidos pelos adultos?

O apoio aos pais também fazia parte do trabalho

Os responsáveis não receberam apenas uma lista de orientações. A pesquisadora explicava os passos, observava sua aplicação e oferecia feedback durante os encontros on-line. A progressão dependia do desempenho observado, e não de avançar automaticamente a cada sessão.

O acompanhamento ocorreu de abril a dezembro de 2022 e somou 28 sessões descritas no artigo. A mãe iniciou a participação; por incompatibilidade de horários, o pai assumiu a continuidade. Esse detalhe mostra por que disponibilidade e organização familiar precisam entrar na conversa sobre uma proposta de cuidado.

Embora realizado em casa, o programa contou com acompanhamento profissional. O relato não equivale a um roteiro para reproduzir suas etapas por conta própria.

O que foi observado — e o que permanece em aberto

Nas observações finais descritas pelas autoras, houve uma distribuição mais equilibrada do tempo entre atividades lideradas pelo adulto e pela criança, além de respostas de comunicação e participação nas propostas. Os comportamentos classificados no estudo como não cooperativos não apareceram nas situações finais observadas.

Isso não significa que o programa tenha comprovado a prevenção de crises futuras. Foi um estudo de caso com uma única criança, sem controle experimental e sem acompanhamento posterior que demonstrasse a manutenção dos resultados. A criança também não apresentava autolesão ou agressão grave; o protocolo foi apresentado como preventivo, não como atendimento para essas situações.

Perguntas para levar à equipe

Mais útil que copiar o protocolo é discutir o que um plano precisa considerar:

  • Como os interesses e as iniciativas da criança aparecem nas atividades?
  • Que habilidades estão sendo ensinadas e como o progresso é registrado?
  • Qual apoio os cuidadores terão para aprender e tirar dúvidas?
  • O que será ajustado se a rotina familiar mudar?

Essas perguntas ajudam a tornar o planejamento compreensível para quem participa dele todos os dias.

Leia o estudo de Araújo, Almeida e Seidl na RBTCC.

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